Última atualização em 06/11/2025
O Integrated Risk Management (IRM), ou Gestão Integrada de Riscos, é um conceito fundamental para empresas que buscam não apenas identificar e mitigar ameaças, mas também alavancar oportunidades e garantir a resiliência em um ambiente de incertezas.
Diferente do modelo tradicional, que frequentemente trata riscos de forma isolada em silos, o IRM integra diferentes áreas e funções, promovendo uma visão holística das ameaças e oportunidades. Essa integração permite que as decisões sobre riscos estejam alinhadas com os objetivos estratégicos da empresa, tornando o processo mais eficiente e agregando valor ao negócio.
Neste conteúdo, além de explicar o conceito e os principais benefícios do Integrated Risk Management, apresentamos um resumo do webinar “A Transição de GRC para IRM: Adaptando-se à Nova Ordem”, promovido pela Euax. A apresentação discute como as organizações podem evoluir do modelo tradicional de Governança, Riscos e Compliance (GRC) para uma estrutura de gestão mais integrada, dinâmica e preparada para os desafios atuais.
O que é Gestão Integrada de Risco – Integrated Risk Management?
A Gestão Integrada de Risco, conhecida internacionalmente como Integrated Risk Management (IRM), é uma abordagem holística e estratégica que visa identificar, avaliar, tratar, monitorar e comunicar todos os tipos de riscos que uma organização pode enfrentar, sejam eles estratégicos, operacionais, financeiros, ambientais, sociais ou tecnológicos.
Diferente de modelos tradicionais, que tratam riscos de forma isolada por área ou processo, a gestão integrada reconhece que os riscos estão interligados e podem impactar múltiplas áreas da organização simultaneamente, exigindo uma visão unificada e coordenada para seu gerenciamento.
Essa metodologia se baseia em princípios e estruturas internacionais, como a ISO 31000 e o COSO ERM, promovendo a integração dos controles internos, da governança e da cultura organizacional em todos os níveis da empresa.
O objetivo central é aumentar a resiliência, a transparência e a capacidade de resposta da organização diante de incertezas, permitindo não só a mitigação de ameaças, mas também a potencialização de oportunidades, de modo a garantir o alcance dos objetivos estratégicos e a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
Quais são os benefícios do IRM?
A adoção do Integrated Risk Management (IRM) traz uma série de benefícios estratégicos e operacionais para as organizações que buscam maior resiliência e capacidade de adaptação em um ambiente de negócios cada vez mais incerto.
Entre os principais benefícios, destacam-se:
- Visão holística dos riscos: permite enxergar como diferentes riscos se relacionam e impactam os objetivos da organização de forma integrada.
- Tomada de decisão mais informada: o uso de automação de dados, da centralização e do acesso em tempo real melhora a qualidade das decisões estratégicas.
- Fortalecimento da governança corporativa: A governança corporativa promove maior alinhamento entre risco, desempenho e estratégia.
- Aumento da eficiência operacional: reduz duplicidades e silos entre áreas, otimizando processos e recursos.
- Conformidade facilitada: melhora o atendimento a normas regulatórias e auditorias, com registros e controles mais robustos.
- Maior resiliência organizacional: fortalece a capacidade de resposta a crises e mudanças no ambiente externo.
- Melhora da cultura de riscos: envolve toda a organização na gestão de riscos, promovendo responsabilidade compartilhada.
Leia também o post sobre Avaliação de riscos na Segurança da Informação
Qual a diferença entre GRC, IRM e IRM?
A principal diferença entre IRM (Integrated Risk Management), ERM (Enterprise Risk Management) e GRC (Governança, Risco e Compliance) está na forma como cada abordagem integra e aplica a gestão de riscos corporativos dentro da organização.
O ERM concentra-se na identificação e mitigação de riscos que afetam os objetivos estratégicos, geralmente com uma abordagem top-down liderada pela alta gestão.
O GRC, por sua vez, está focado em garantir que a organização atue em conformidade com normas e regulamentos, tais como adequação a LGPD ou outras normas, promovendo governança e controles internos eficazes.
Já o IRM representa uma evolução desses modelos, ao integrar riscos em todos os níveis da organização, utilizando tecnologias que possibilitam automação de processos e tarefas, monitoramento proativo e contínuo e a tomada de decisão orientada por dados.
A abordagem colaborativa e dinâmica da Gestão Integrada de riscos permite quebrar silos organizacionais e conectar riscos operacionais e estratégicos de forma mais ágil e eficaz, tornando a gestão de riscos mais alinhada à realidade atual dos negócios.
Resumo do Webinar A Transição de GRC para IRM: Adaptando-se à Nova Ordem
O webinar apresentado por Luís Ross abordou o tema “Governança, Riscos e Compliance (GRC)” e sua evolução para o conceito mais moderno de “Integrated Risk Management” (IRM).
Luiz Ross, um profissional com vasta experiência em Governança, Riscos, Gestão de Continuidade e Segurança da Informação, iniciou discutindo o contexto histórico e as definições essenciais de GRC, além de destacar a relevância dos processos integrados para alcançar objetivos estratégicos das organizações.
GRC é explicado como um conjunto de processos que une governança, riscos e compliance para gerir empresas de forma eficiente, alinhada às exigências regulatórias e de mercado.
O conceito de Governança corresponde a um conjunto de princípios e práticas que norteiam a administração da empresa; riscos envolvem a ameaças financeiras, legais, operacionais e reputacionais enquanto que compliance representa a conformidade com leis, normas e regulamentações.
Ross destacou que, embora o termo GRC tenha sido cunhado em 2002, sua aplicação era focada inicialmente na conformidade e controles internos, enquanto a gestão de riscos começou a ganhar mais corpo a partir de 1998, especialmente com regulações do Banco Central relacionadas a controles internos.
Ele enfatizou a importância do papel da auditoria neste processo, que tradicionalmente utilizava frameworks para mapear e controlar riscos, funcionando como um mecanismo independente de avaliação e acompanhamento.
Qual a origem do termo Integrated Risk Management?
Rossi afirma que o conceito de IRM foi introduzido em 2018 pela Gartner, que buscou uma abordagem mais integrada e voltada para o desempenho organizacional, incluindo estratégia, avaliação, resposta, comunicação, monitoramento e tecnologia. Ele explicou que IRM representa uma evolução do GRC, reforçando a integração plena dos processos, a participação de todas as áreas, incluindo fornecedores e parceiros, bem como a adoção de tecnologia para garantir melhor eficiência na gestão de riscos.
O palestrante também abordou a evolução das práticas de governança, risco e compliance em níveis, desde um foco inicial em conformidade até uma abordagem atual centrada nos resultados do negócio.
Rossi destacou que o Gerenciamento de Continuidade de Negócios (GCN) exemplifica essa integração ao priorizar a análise dos impactos nos negócios e vincular processos tecnológicos que dão suporte a essas atividades.
Durante o evento, o especialista enfatizou que, embora exista alguma distinção teórica entre GRC e IRM, na prática essa diferença tem se tornado cada vez mais sutil. Assim, o mercado e as empresas utilizam o termo GRC por costume e por estar institucionalizado em regulamentos, órgãos reguladores e no ambiente corporativo.
O avanço tecnológico e a evolução dos frameworks promovem uma convergência entre os conceitos, tornando eles essencialmente compatíveis e complementares.
Durante o webinar, houve interação com o público para esclarecer dúvidas, discutir o papel da auditoria na gestão integrada e reforçar que a escolha entre GRC e IRM depende das necessidades específicas de cada negócio, sobretudo para organizações que lidam com regulamentações rigorosas como Banco Central, SUSEP, ou estão inseridas no mercado de ações.
Ross finalizou destacando a importância de aprender com crises e incidentes de segurança da informação para evoluir continuamente os processos de governança, riscos e compliance.
"A evolução de GRC para IRM está ligada à necessidade de uma visão mais estratégica e integrada do risco em toda a cadeia de negócios, incluindo fornecedores."
Principais Insights do evento:
- 📈 Evolução gradual de GRC para IRM: O GRC surgiu como uma tentativa inicial de unir governança, riscos e compliance. No entanto, com o crescimento da complexidade empresarial e das demandas regulatórias, tornou-se necessário um modelo mais robusto e integrado, o que deu origem ao IRM. O IRM amplia o alcance, integrando cultura, processos e tecnologia para uma visão holística do risco, refletindo a maturidade das organizações.
- 🤝 A integração como palavra-chave: Um dos maiores diferenciais do IRM é a integração não apenas dos processos internos, mas da cadeia completa de negócio, fornecedores e parceiros. Isto garante que riscos externos e dependências críticas sejam gerenciados conjuntamente, fortalecendo a resiliência empresarial.
- 🕵️♂️ Auditoria e GRC/IRM, papéis complementares: Auditoria se mantém como uma função independente e crítica para validar a eficácia das práticas de gestão de risco e conformidade. Enquanto GRC e IRM atuam na implementação e mitigação contínua, auditoria assegura transparência e confiabilidade dos controles.
- 💡 Tecnologia torna-se indispensável: Sem sistemas tecnológicos especializados, a gestão integrada de riscos torna-se impraticável. Ferramentas tecnológicas permitem realizar assessments de conformidade, identificar vulnerabilidades, monitorar riscos e documentar respostas de forma eficiente e automatizada, elevando o nível de governança.
- 📊 Da conformidade para a estratégia de negócios: A abordagem inicial do GRC estava muito centrada na conformidade regulatória; o IRM evolui para alinhar riscos à estratégia e aos resultados do negócio, com uma visão proativa e orientada para valor, onde a continuidade e sustentabilidade do negócio são prioridades.
- 🔍 O GRC está institucionalizado, mas o mundo fecha para IRM: O conceito técnico e moderno de IRM ainda não é tão amplamente usado pelo mercado e pela mídia, que preferem o termo GRC pela sua história e aceitação. No entanto, IRM está embutido na prática operacional e nos frameworks contemporâneos adotados por grandes organizações.
- ⚠️ Lições aprendidas com crises impulsionam o aprimoramento: Grandes falhas e incidentes, como fraudes e ataques cibernéticos, funcionam como catalisadores para a melhoria dos processos de governança e gestão de riscos. Organizações que esperam crises para agir correm riscos maiores; o modelo ideal é o gerenciamento contínuo e proativo, apoiado por tecnologia e cultura corporativa.
Clique aqui e assista ao webinar A Transição de GRC para IRM: Adaptando-se à Nova Ordem completo.
Agora que você já sabe tudo sobre a Gestão Integrada de Riscos – IRM, aproveite para conhecer a consultoria de SI, GRC e cibersegurança da Euax e garanta a proteção da sua empresa!

Formado em economia pela FAAP e pós-graduado no ITA em Ciência da Computação. Possui uma carreira desenvolvida em empresas de serviços, instituições financeiras, indústrias e consultorias de negócios e de TI.



